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Rosh HaShanah — Ano Novo Judaico

“O SENHOR falou a Moisés, dizendo: Fala ao povo Israelita assim:  No sétimo mês, o primeiro dia do mês, será para vós descanso solene, uma ocasião sagrada comemorada com toque memorável de shofar. Nenhuma obra servil fareis; e oferecereis oferta queimada ao ETERNO” (Lv. 23:23-25).

Rosh HaShanah, o primeiro dia do sétimo mês  (o mês de Tishri), é celebrado como “Dia de Ano Novo”. Naquele dia o povo judeu deseja uns aos outros

Shanah Tovah, Feliz Ano Novo.
שָׁנָה טוֹבָה

Rosh HaShanah, entretanto, é mais que uma celebração de um novo ano do calendário;  é um novo ano para os anos Sabáticos, um novo ano para os anos de Jubileu,  e um ano novo para o  dízimo dos vegetais. Rosh HaShanah é o Aniversário do Mundo, o aniversário da criação—um evento quádruplo…

Rosh HaShanah é um evento quádruplo…

Dia de Soprar Shofar

Uma das características especiais das orações de Rosh HaShanah é o soar do shofar (o chifre de carneiro). O shofar, ouvido pela primeira vez no Sinai é ouvido novamente como um sinal que a redenção está chegando.

O Dia do Julgamento

Acredita-se que em Rosh HaShanah o destino de toda a humanidade  é registrado no ‘Livro da Vida’…

“…Em Rosh HaShanah ele é escrito, e em  Yom Kippur ele é selado, quantos deixarão este mundo e quantos nascerão nele,  quem viverá e quem morrerá... Mas penitência, oração e boas ações podem anular a severidade do decreto..” (do Unetaneh Tokef Kedusaht Hayom, oração Litúrgica, Rosh HaShanah e Yom Kippur).

O Dia da Lembrança

Rosh HaShanah é um tempo para lembrar a fidelidade de Deus para com Israel através da história. Por isso, Rosh HaShanah também é chamado Yom HaZikaron (Lv. 23:24). Yom Hazikaron é um tempo para reflexão pessoal e comunitária: Como eu vivi o ano passado em termos de fidelidade e justiça? Em Yom HaZikaron a liturgia lembra a fidelidade do patriarca Abraão que ofereceu seu único filho,  Isaac, em fiel obediência  a Deus (Gn. 22). Como resultado de sua prontidão para sacrificar Isaac, Deus fez aparecer um carneiro para ser morto em lugar de Isaac. Conforme a tradição judaica, acredita-se que este sacrifício aconteceu em 1 de Tishri. O chifre do carneiro está ligado ao shofar e o serviço Rosh HaShanah sugere o sacrifício de Isaac (Talmud, Rosh HaShanah 16a).

Rosh Hashanah—O 1  de Tishri—O início dos dez dias de Arrependimento

Durante todo o mês anterior (o mês de Elul) as pessoas estão em clima de penitência—um pouco como a Quaresma Cristã em preparação para a Páscoa. Em Rosh HaShanah começa um tempo de antecipação de renascimento e renovação quando o povo judeu entra nos “Os Dias de Temor.” Estes dias de temor são os Dez Dias de Arrependimento—dez dias de auto exame e comprometimento para mudança de hábitos. Os Dias de Temor são os dias de teshuvah—uma palavra hebraica que significa Hebrew “returno”. Estes dez dias chegam ao clímax com o mais sagrado dia de todo o ano para os judeus, Yom Kippur, “O Dia do Perdão” Durante os Dias do Temor os judeus buscam o perdão de Deus enquanto refletem sobre os erros cometidos no ano passado e, ao mesmo tempo, as pessoas se visitam ou chamam uns aos outros para buscar o perdão por suas faltas humanas e omissões em relação ao outro.

Rosh HaShanah inaugura o mais sagrado dos meses
do ano [Tishri] e inicia

“As Grandes Festas”

Na primeira tarde de Rosh HaShanah alguns judeus vão a um lugar onde tenha água corrente e jogam pedaços de pão ou moedas na água simbolizando os pecados cometidos durante o ano passado. Esta tradição vem do profeta Miquéias que declarou “Quem é um Deus como tu, que perdoa a iniquidade e passa sobre a transgressão do restante de vossa posse? …Lançaras ao fundo do mar todas as nossas culpas  (Mq.7:18, 19). A cerimônia é chamada  tashlikh, da frase hebraica: “lançarás.”

Para ser o melhor Nós podemos ser Moralmente,
Espiritualmente, e  Devemos estar sempre Abertos
à Presença do Divino em Nossas Vidas...

Rosh HaShanah começa um período de exame de consciência pessoal e focalizar na mudança de nossas atitudes e comportamento. Durante os Dias de Temor (que inicia em Rosh Hashanah) a tradição tem imaginado Deus sentado num trono de julgamento. A antiga tradição judaica da Babilônia falou dos anjos como procuradores e defensores num tribunal celeste. Uma noção mais realista e contemporânea posterior é aquela de Deus do julgamento como consciência interna. Deus chama-nos simbolicamente durante esta época [mas na realidade todo o tempo] para ser moralmente, espiritualmente e eticamente o melhor que podemos ser—o que significa, que nós devemos sempre estar abertos a mudança e a presença divina em nossas vidas.

Rosh HaShanah—Honrar a Criação

Rosh HaShanah tradicionalmente marca a criação do mundo [Páscoa marca a criação de Israel]. A observação do rabbi que a palavra hebraica, bereshit (בראשית, no/com começo), que é a primeira palavra na Torah e começa com a narrativa da criação torna-se, quando alguém rearranja as letras, o 1 de Tishri—a data do Ano Novo, Rosh HaShanah, cai—Primeiro de Tishri (א' בתשרי).

As letras de bereshit [Gn. 1:1] ב ר א ש י ת  torna-se א [1st] ב ת ש ר י [Tishri]

A festa de Rosh HaShanah, entretanto, reflete ou é testemunha a  criação. A festa é um dos ‘sinais’ que ‘testemunha’ o ‘tempo fixado’ no Tempo quando somos atraídos para fora da realidade da experiência cotidiana e para dentro da ‘realidade’ do infinito.

Deus disse…
…que elas (as luzes) sejam por sinais e por estações
    וּלְמוֹעֲדִים...לְאֹתֹת

    אֹתֹת    são sinais

Mo’adim, מוֹעֲדִים, traduzido como estações, significa ‘marcar  os tempos’

Enterrado dentro da palavra
    מוֹעֵד    (estação) é
    עֵד    (testemunha).

A palavra מוֹעֵד também
significa festa.

As festas judaicas são chamadas:   mo’adim.

Deus disse, “Sejam os luzeiros na expansão dos céus, para separar entre dia e entre noite, e sejam (as luzes) por sinais (otot) e  testemunha (ed) para estabelecer (mo’adim|festivais/tempo marcado), os dias e os anos. (Gn. 1:14)

O Talmud não apenas extrai a importância de Rosh HaShanah como o aniversário do mundo mas liga a festa a datas importantes na ‘história’ do povo judeu.

Dizem-nos que

  • Deus se lembrou de Sarah em Rosh HaShanah,
  • Isaac nasceu em Rosh HaShanah
    [apesar de uma outra tradição dizer que Isaac nasceu na Páscoa  (Talmud, R.Sh. 10b,11a)]
  • Hannah foi lembrada em Rosh HaShanah e seu filho Samuel foi a resposta às suas orações
  • Abraham ofereceu Isaac no Mt Moriah [a Aqedah (sacrifício/oferenda)] ocorreu em Rosh HaShanah.

Liturgia de Rosh HaShanah

Os serviços de orações em Rosh HaShanah incluem, além das orações regulares e diárias da Amidah, que foca sobre o arrependimento e redenção:  quem viverá e quem morrerá, quem será inscrito no Livro da Vida. O serviço de oração adicional de Rosh HaShanaha, chamado mussaf (adição), insere três bênçãos/berakhot especiais na oração da Amidah relacionadas aos principais temas de Rosh Hashanah. Estas orações antecipam um dia futuro quando todas as pessoas conhecerão e aceitarão o reino de Deus. O serviço de Rosh HaShanah mussaf reconhece, “Por isso, dobramos os joelhos e nos curvamos reverentemente diante do Rei dos Reis, o Altíssimo, louvado seja Deus.” Neste ponto, como parte da coreografia do serviço, torna-se comum curvar-se diante de Deus numa atitude física de aceitação do reino de Deus.

Os temas de oração de Rosh HaShanah mussaf desenvolve a noção do reino de Deus, fidelidade de Deus, providência, e revelação. A Mishnah indica que esta tem sido a prática para soar o shofar ao final de cada sessão desde o tempo antigo [Rosh HaShanah 4:5-6].

Rosh HaShanah
Mussaf Bênçãos

[berakhot | בְּרָכוֹת]

Malkiyot.
Deus é Rei:
Deus é soberano do povo judeu e do universo.

Zikronot
Lembrança:
Deus intervém no mundo. Deus não vai abandonar o povo e Israel lembrará e invocará Deus consciente das promessas Divinas feitas à eles.

Shofarot
Revelação & Redenção
:
Reconhecimento da revelação: lembrando da aliança de Deus com Israel no Sinai, o mérito dos ancestrais, e a promessa de Deus da revelação futura e redenção no final dos dias.

 

Selichot—Orações para Perdão

selichot | סְלִיחוֹת—perdão
[a palavra moderna em hebraico para sinto
muito/ desculpe-me é s’lichah]

Selichot são orações especiais de penitência, que teem sido rezadas desde a antiguidade em dias de jejum e com o tempo vieram a ser aplicadas para os dias de preparação antes de Rosh HaShanah e entre Rosh HaShanah e Yom Kippur.[os judeus Sefaradis recitam selichot no início de Elul para que o número total de dias de recitação sejam iguais a 40 e de acordo com o Midrash correspondam ao número de dias que Moisés permaneceu no Mt Sinai após o incidente do bezerro de ouro.]

As orações de selichot focam no sofrimento dos indivíduos e da comunidade agora e por toda a história, e sobre a esperança e fé continua do povo de Deus de que Deus aliviará o sofrimento e trará redenção. Algumas das práticas de oração na liturgia que enfatizam a confissão e petição são muito antigas. Nehemiah 9:3 nos conta:

Levantando-se de seus lugares, leram dos rolos dos Ensinamentos do SENHOR durante um quarto do dia, e na outra quarta parte confessaram e adoraram ao SENHOR seu Deus.

Os Treze Atributos de Misericórdia

Central para selichot está a recitação dos shelosh esre midot—Os Treze Atributos de Misericórdia  

שׁלֹשׁ עֶשְׁרֵה מִדּוֹת

Estas são as palavras que Deus ensinou a Moisés no [Ex. 34: 6-7] após o incidente do Bezerro de Ouro.  O Talmud [Rosh Hashanah 17b] diz que Moisés sentiu que o pecado de Israel era grande demais para ele interceder a favor de Israel mas Deus apareceu e disse “quando Israel peca, deixe-os recitar os shelosh esre midot na ordem correta e Eu os perdoarei.”

“O Senhor! | יהוה | Adonai
o Senhor | יהוה | Adonai
um Deus | אֵל | El
compassivo | רַחוּם | rachum
e gracioso |וְחַנּוּן | v’chanun
lento em irar-se | אֶרֶךְ אַפּיִם | erech apayim
abundante em benignidade |וְרַב חֶסֶד | v’rav hesed
e fidelidade | וְאֱמֶת | v’emet
estendendo bondade até a miléssima geração | נְצֵר חֶסֶד לָאֲלָפִים | notzeir hesed la’alafim
perdoa iniqüidade |נֹשֵׂא עָוֹן | nosei avon
e transgressão | וְפֶשַׁע | v’pesha
e pecado | וְחַטָאָה | v’hata’ah
e que purifica... | וְנַקֵּה | v’nakeh

O ShofarO shofar

O soar do shofar é uma parte importante da tradição de lembrança de Rosh HaShanah recordando como se fosse o evento da imanência de Deus no Mt Sinai e a entrega da lei  [Ex 19:16,19; 20:18]; ecoado no ano do Jubileu, e as histórias do impressionante e poderoso controle de Deus sobre os eventos no tempo (e.g. a queda dos muros de Jericó [Js. 6:4, 20])

Desde o tempo antigo as notas distintivas do shofar tem sido compreendidas como um convite ao arrependimento.  

O som do shofar relembra a revelação da Torah no Sinai e a coroação de Deus como rei, proclamando o incrível poder de Deus para todos os habitantes do mundo.

Durante os 30 dias de Elul e por todos os Dez Dias de Arrependimento o som do shofar proclama tanto a soberania de Deus quanto o chamado ao arrependimento.

Na liturgia de conclusão de Yom Kippur o grande toque do shofar torna-se um  arauto de celebração da emancipação do pecado.

O Talmud [Tractate Rosh HaShanah] relata o modo no qual o shofar deve ser tocado.  O padrão básico é uma combinação de sons produzidos pelo shofarTekiah, Teruah, Shevarim. O tekiah é um som continuo que para abruptamente: um som de atenção, um chamado ao recolhimento.   Teruah por outro lado é uma série de sons quebrados que soam como um soluço, enquanto shevarim é uma série de três lamentáveis notas curtas. Colocadas juntas em várias sequências as notas do shofar produzem uma sensação de tremor, assinalando e lamentando como quem está diante do julgamento de Deus.  

O sábio medieval,  Maimônides, diz que como lembrança do som do shofar no Mt Sinai, o sopro do  shofar em Rosh HaShanah convida:

“Você que está dormindo, acorde! Busque seus feitos e se arrependa.
Olhe dentro de sua alma, você que se entrega o ano todo ao superficial.
Aplaine seus caminhos; que cada um deixe o mau caminho e a má intenção.”  

Alguma Espiritualidade do shofar…

Sa’adia Gaon, [Sa’adia ben Yosef Gaon, 10th C.] sugeriu dez razões para o soar do shofar

  1. Em Rosh HaShanah, a celebração da criação, o shofar proclama a soberania de Deus.
  2. Durante os Dez dias de Arrependimento o shofar  excita o povo ao arrependimento. 
  3. O shofar relembra a revelação no Sinai e a promessa do povo, “Faremos e obedeceremos.” 
  4. O shofar ecoa os chamados e as advertências proféticas. 
  5. O shofar lembra o alarme da batalha da Judeia.
  6. O shofar lembra a tentativa do sacrifício de Isaac por Abraão.
  7. O shofar agita o coração com temor e reverência.
  8. O shofar lembra o Dia do Julgamento.
  9. O shofar busca a future restauração final do povo de Israel.
  10. O shofar é identificado com a ressurreição da morte.

As Tradições de Rosh HaShanah

Enquanto a festa de Ano Novo (Rosh HaShanah) é um tempo de reconciliação e penitência  ele é também um tempo quando as famílias judias se reúnem para celebrar o ano presente e alegremente antecipar o outro. Em  Rosh HaShanah as famílias se reúnem para uma refeição festiva nas primeiras duas noites durante as quais eles simbolicamente mergulham pedaços de maça e pão no mel e desejam um ao outro “Shanah tovah umetukah” (Um Ano Novo feliz e doce!)

Challah

A hallah (pão) usada em Rosh HaShanah é geralmente redonda ao invés dos habituais pães ovais ou retangulares usados no Shabbat ou outra refeição festiva. A forma redonda é uma lembrança simbólica da soberania de Deus—uma coroa, e também uma lembrança que Deus concede “coroa” aos justos.

Saudações Habituais para Rosh HaShanah

Shanah tovah Feliz Ano Novo New Year

Shanah tovah umetukah Feliz e doce Ano Novo!
ou
Leshanah tovah tikatevu Que você seja inscrito para um ano bom (no Livro da Vida)

Outros podem combiner as saudações:
Leshanah tovah umetukah tikateivu Que você seja inscrito para um ano bom e doce. 

A resposta é: “Igualmente para você!” 
Gam lemar ou gam lekha (mas.) ou gam lakh (fem.)

Referências

Birnbaum, P., Encyclopedia of Jewish Concepts (New York: Hebrew Publishing Company, 1998)
Eisenberg, R. L., JPS Guide: Jewish Traditions (Philadelphia: The Jewish Publication Society, 2008)
Strassfield, M., The Jewish Holidays: A Guide and Commentary (New York: HarperCollins, 1985).


Editorial material prepared by Elizabeth Young 2009
e traduzido por Maria Cecilia Piccoli – Associação do Colégio Nossa Senhora de Sion, Curitba, Brasil

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